Guitar Catalog of the 20th and 21st Centuries

based on the original project by Vincenzo Pocci

rebooting by Cristiano Porqueddu

Scliar Esther (1926-1979)

Brasil

Brazilian composer.

Portuguese
Esther Scliar (1926-1979)
Talvez não tenha ainda sido devidamente avaliada a importância do papel de Esther Scliar no esenvolvimento da música brasileira. Para ela, viver era fazer música. Concentrava todas as suas energias nessa atividade. Mas tinha também uma preocupação especial para com a realidade cultural brasileira, como um todo.
Esther tinha uma visão inovadora do aproveitamento do folclore, sem abandonar as técn icas de composição cultas. Costumava dizer: “O folclore brasileiro è um dos mais ricos do mundo; mas é preciso saber combinar dialeticamente a matéria-prima brasile ira com a formação inovadora e vanguardista da arte. Este é um problema fundamental”.
Em várias de suas obras corais vemos uma intensa ligação com o rico material nordestino, como é o caso, especialmente, da peça Toada de gabinete (1976), sobre motivos de violeiros da Paraíba. Outro bom exemplo é Ofulu-Lorerê-Ê (1974), sobre canto de Oxalá, do candomblé baiano. Podemos também citar Beiramar (1953), sobre um ponto de macumba. Esther gostava muito de escrever para coral, com base na sua experiência como regente de coro em Porto Alegre, nos anos 1950. Escreveu poucas obras instrumentais, algumas incompletas. As principais são: Imbrica ta (1976); Intermorfoses (1977); Sonata para piano (1961); e o Estudo n.1 para violão (1976). Fez também música para cinema e teatro.
Esther teve também uma ativa participação nos movimentos de vanguarda musical. Tive a oportunidade de assistir várias Bienais de Música Contemporânea Brasileira, na Sala Cecília Meireles. Nessas ocasiões, costumava dizer: “O novo pelo novo, gratuitamente, os efeitos pelos efeitos, não me interessam se a obra não tiver um conteúdo e uma estrutura firmes. Do contrário, elas logo perderão o interesse”.
Ela sempre se manifestava contrária à utilização da semiologia nos estudos de análise musical, pois tinha a convicção de que a música é uma arte destituída de significados. Considerava mu ito importante a exploração da música no campo da eletracústica, apesar de ter verdadeiro pavor de lidar com máquinas. Estimulou muito as compositoras Vânia Dantas Leite e Marlene Fernandes a criar uma sistematização da música eletracústica. Esther não se restringiu à composição. Grande parte de sua preocupação era com a educação musical, onde detectava deficiências primordiais. Resolveu então criar um sistema, o mais completo, rico, criativo a básico da teoria e análise musical, buscando abranger todos os estilos de várias épocas, sem nunca esquecer de dedicar uma parte à música brasileira.
(Estudo n.1 para violão, MEC/FUNARTE, 1982)

Composizioni (2)

TitoloEditoreStrumentazioneAnno
ESTUDO N.1 BRASILIS 1976
ESTUDO N.1 MEC-FUNARTE 1976